10/10/11

Combater o acordo ortográfico

Informo o caro leitor, ou a cara leitora se de uma leitora efectivamente se tratar, que, até há bastante pouco tempo, tinha uma posição ambígua quanto ao acordo ortográfico. Sim, eu como pecador me confesso. Mas não mais. Pensei muito sobre a questão, consultei o que devia ter consultado antes, vi o que especialistas tinham a dizer sobre o assunto e, finalmente, vi o que não especialistas tinham a dizer sobre o assunto. Em qualquer um dos casos obtive um não: "Não, Tiago, o novo acordo ortográfico não é algo de bom. Vá agora desvia lá o olhar e vai ver filmes badalhocos ou algo mais educativo". E, por isso, depois de chegar à minha conclusão, tive que pensar, como pequeno lutador que sou, em formas e maneiras de combater o acordo. E é disso que este texto trata. Ora, sendo eu um comum cidadão - apesar de pequeno lutador - não há grande coisa que possa fazer. Tivesse eu mais poder e seria tudo mais fácil (aah, a ironia: bradam aos céus e a quem os quiser ouvir que a democracia, esta que temos, é a melhor que podia existir e depois um comum cidadão - aquele que devia ser a base e os alicerces do poder democrático - não pode fazer nada), ou dinheiro, ou ambos, como parece ser sinónimo neste nosso país à beira mar plantado. Mas há uma coisa que posso, efectivamente, fazer. Posso jogar pelas regras e apodrecer o jogo por dentro. Explico.

Tomemos em consideração três palavras: "acção", "Egipto" e "facto". Todas estas palavras têm em comum uma consoante que estar lá ou não estar é igual ao litro, aparentemente. Mas, no entanto, uma delas perde definitivamente a consoante, outra fica com a consoante quando calha e a outra fica com a consoante, pelo menos, até ao acordo de 2025 (a haver). Ou seja, "acção", cujo 'c' é completamente mudo, perde a consoante; "Egipto", cujo 'p' é ou não lido pelas pessoas, dependendo de quem diz a palavra, pode perder ou não a consoante alegadamente muda; e, por fim, "facto", cujo 'c' provoca uma espécie de fecho no som "-(c)to", mantém-se inalterado.

É esta a medida mais polémica do acordo ortográfico e, também, a mais conhecida. O apagar de consoantes quase indiscriminadamente lança sobre a sociedade portuguesa e sobre o pessoal da área de letras um dilema bastante grande. É que, se se apagam as letras que não são lidas, os 'cc' e os 'pp', as próprias palavras mudam. "Directo", por exemplo: lê-se "di-ré-to" porque tem lá um 'c'; perdendo o 'c' nenhum linguista ou intelectualóide me pode impedir de ler o que está lá escrito na verdade, que é "direto", ou seja, "di-rê-to". "Acção", perdendo o 'c', deixa de se ler "Á-ção" para passar a ler "assão", sem acento na primeira vogal. O mesmo com "actor". Na sua excelente crónica desta semana na Revista Visão, escreve o humorista Ricardo Araújo Pereira:
"Recepção" escreve-se com 'p' atrás do 'ç'. É assim porque o 'p' provoca uma convulsão no 'e' - sem lhe tocar.
De facto, é isto o que acontece. Se não houvesse o 'p', "recepção" (lugar onde alguém recebe outras pessoas num estabelecimento, geralmente comercial) seria homófona de "recessão" (aquilo que os ministros das finanças e economia insistem em meter o povo - mas não os ricos), e, como o leitor mais arguto terá já percebido, não são homófonas.

Portanto, o que eu proponho ao caro leitor, à cara leitora e a todos a quem este texto chegar, é jogar pelo jogo dos pseudo-intelectuais e pseudo-linguistas e ler as consoantes outrora mudas. Tornar as consoantes lidas, nem que seja só uma pequena "convulsão", como lhe chama Ricardo Araújo Pereira, um pequeno reflexo vindo do fundo da garganta que faça com que os outros pensem "então mas que raio". Continuem a escrever com o antigo acordo. Insistam e resistam. Inovem a fala, ponham lá as consoantes que fazem falta para as palavras se perceberem. Não deixem que a nossa língua nos seja roubada por uma elite - a língua é de todos e, se for para matar, ao menos que morra de forma democrática. TM

(Post publicado em simultâneo no meu blogue pessoal, Dia T)

27/09/11

Duas notícias...

Ora bem, se uma tem tudo para ser bizarro, a outra tem tudo para nos trazer instintos homicidas. Não me vou prolongar em comentários, até porque não quero. Aqui estão, então, os dois pedacinhos de notícias que resolvi escolher, qual convidado do "5 para a Meia-Noite" (hahaha, pensas que és só tu, DC?), do dia que já se passou:

Médico declara morte de mulher que afinal estava viva
e
Merkel sugere perda de soberania para países que não cumpram critérios de estabilidade

Obrigado e tenham um excelente dia. TM

26/09/11

Eu tenho um sonho.E é esquisito como tudo

No post anterior a este, TM referiu-se a sonhos, nomeadamente aqueles que se inserem na categoria "MAS QUE RAIO..?". São aqueles que temos de vez em quando mas que não fazem sentido algum e que, quando chega a hora de acordar, nos questionamos o que acabou de acontecer no nosso inconsciente ( isto, lá está, quando nos lembramos, visto que perdemos milhares e milhares deles por falta de memória). Pois bem, seguindo as pisadas de TM, relato-vos eu dois sonhos que tive, que me marcaram pela sua caracteristica tão "Mas que raio?"

O primeiro:

Isto passou-se no 10º ano. Estava eu e grande parte da minha turma numa ilha em tudo semelhante, se não era a mesma, à do programa "Lost". Com o progredir daquilo reparei que não era só a ilha que assim o era, a minha turma também. Eu era a estrela de rock reformada ( à semelhança do programa). A dada altura chega um helicóptero, sendo que pensava que seria para nos levar dali. Mas não, sai de lá um tipo vestido como um Storm Trooper mas preto e começa aos tiros. Dois deles foram parar a malta de quem eu não gostava, o que até foi engraçado. Em seguida, a minha amiga e colega de carteira ( um beijinho para ela se estiver a ler isto), leva um tiro e de repente fica com um bebé na mão, que claramente não tinha antes, e entrega-mo. Esta criança não volta a aparecer. De seguida saem dois colegas meus que estavam a ter relações sexuais num arbusto e ele pergunta: "Ei? Mas o que é que se passa?". Do nada o helicóptero desaparece, tal como os Black Troopers e alguem se lembra que tem um barco insuflavel no bolso. Entramos todos no barco e acabamos por encontrar um cargueiro. Subimos para cima deste e descobrimos que o seu capitão é nada mais nada menos que Nuno Markl. Não me lembro do que se passou a seguir mas alguém deu um tiro no capitão que caiu borda fora e em seguida o barco explode. E acordo.

O segundo

Mais recentemente. Estava eu e o meu amigo DM a andar numa floresta qualquer, no que parecia uma reunião de escuteiros. A dada altura encontramos uma casa de madeira, com portas de vidro e tomamos a decisão de entrar. Contudo reparámos em duas coisas. A primeira era que a porta estava trancada. A segunda é que estava um aglomerado enorme de pessoas do lado de dentro, nas quais estavam distintamente TM e BT. Estas pessoas queriam sair desesperadamente pois batiam com as mãos no vidro e gritavam, enquanto nós queriamos entrar. Virei a cabeça por instante a procura de outra solução e quando me preparava para perguntar o que deviamos fazer, DM estava vestido de ninja e começou a correr na direcção oposta. Eu segui-o e a dada altura estava no Parque Campismo de Aljezur, agora tambem eu vestido como ninja. Por alguma razão começámos a falar baininho e a andar nas pontas dos pés, apesar de ser de dia, e rebolavamo-nos no chão para passar de um lado para o outro. Foi nesta altura que voltei para o mundo real.

Quando chegam ao fim, chegamos à conclusão que são estranhos como tudo. Não sabemos é porque o são ou porque não fazem um pingo de sentido. Apelo eu também a algum leitor aqui do blog entendido em análise de sonhos ( não, ter visto o "Inception" não conta), e já agora, quiçá partilhar alguns destes pedaços do inconsciente. Até porque, apesar de tudo, costumam ser bem mais agradáveis do que a realidade. DC

25/09/11

Cerelaquices

Diz o Papa Bento XVI, também conhecido pelo modesto padre Joseph Ratzinger, seu alter-ego:


E eu respondo: devem, sim. "A religião é como um pénis: é bom ter um, não há problema em ter orgulho nele. Mas, por favor, não o mostres em público e não o comeces a balançar por aí. E, POR FAVOR, não o tentes enfiar pela goela das nossas crianças abaixo." TM

Isto tudo para dizer à pessoa do meu sonho desta tarde que não quero mudar de curso para Nanotecnologias

Os meus sonhos são conhecidos e famosos por serem estranhos. Bem, quem não tem os seus de quando em vez? Claro, uns poderão ter um grau de bizarria superior a outros, uns serão mais normalecos que outros, mas, regra geral, os sonhos são estranhos.

Queria relatar-vos agora dois sonhos particularmente bizarros que tive. Não houve outros que fizessem com que eu soltasse um maior "Hum, esta agora..." que estes. Não me lembro em que dia foi, nem me arrisco a adivinhar, mas fica aqui o registo, para a posteridade.

O primeiro:
Estou num avião, creio que com destino à Madeira. A passar por cima da Ponte 25 de Abril, num voo rasante - sabe-se lá porquê... - a hospedeira diz claramente «Estamos a ter problemas, por favor peguem nas vossas asas delta e saltem». E eu, a minha mãe e o meu irmão assim o fazemos. Pegamos numa asa delta e saltamos. E ficamos a fazer para-pente em cima da Ponte, antes de nos lembrarmos que temos de ir para Cacilhas apanhar outro avião. Em Cacilhas, a minha tia está dentro de um cacilheiro, e a minha mãe diz-me para ir lá ter com ela. «Olha, vai lá ter com a tua tia que ela tem uma pergunta sobre sushi». Eu, na minha inocência, lá vou, mas sempre preocupado porque não posso perder o avião que partiria daí a minutos daquele conhecidíssimo aeroporto que fica perto do Ginjal. Chego ao pé da minha tia, digo para ela se despachar, começo a ouvir as portas do barco a fechar e pergunta-me ela: «Olha, como é que se chama aquela comida feita com peixe crú que tu gostas muito?». E acordo.

O segundo:
Está o DC em bebé, a minha professora de inglês do segundo semestre e o Dumbledore num quarto de hotel, daqueles hotéis antigos. E eu. E descubro que a minha professora e o Dumbledore têm um caso. O que muito me perturbou porque o Dumbledore é gay. Seguidamente, não faço ideia o que aconteceu com o DC, mas sei que estou à procura do seu corpo de um ano pelo chão e espreito por uma fresta e está, numa casa de banho, a minha professora completamente nua. E, graças a Zeus, acordo.

Convido agora o leitor deste blogue a fazer duas coisas: a primeira é a tentar interpretar, freudianamente ou não, estes sonhos. E, também, caro leitor, que sonhos é que já teve que o deixaram a pensar "Hum, esta agora..."? Partilhe-os connosco! TM

23/09/11

Amar e ser amado é algo um bocado lixado

Numa das minhas deambulações rotineiras no Facebook, dei de caras com uma das típicas mensagens no mural, em que se pede para as pessoas colocarem no seu próprio, caso concordem com o que ali está escrito. Pois bem, eis que chega a altura em que encontro isto:

"Um namorado propôs um desafio à sua namorada... viver um dia sem ele, sem qualquer tipo de comunicação.- ele disse que se ela fizesse isso, a amaria para sempre.
- ela aceitou.
- não lhe ligou nem mandou mensagens todo o dia, sem saber que o seu namorado tinha apenas 24h de vida porque estava a sofrer com cancro.
- ela foi a casa do namorado no dia seguinte.
- as lágrimas cairam quando o viu deitado, com uma nota a seu lado a dizer : conseguiste amor, e agora achas que consegues fazer isso todos os dias? AMO-TE!
- se gostas de alguém de verdade cola isto no teu mural!"

Ora bem, eu não sou nenhum especialista no amor, nem perto disso estou, mas serei apenas eu que acho que todo o propósito que este texto quer transmitir, está completamente errado? Porque senão vejamos, a ideia que este individuo tem é PROFUNDAMENTE CRUEL! Não faço ideia se isto que relata é verídico ou se é criação de uma mente profundamente sádica, mas é horrivelmente cruel! Portanto, o senhor descobre que tem 24 horas de vida e portanto decide fazer a coisa mais razoável que qualquer pessoa na mesma situação faria: diz à namorada para não o contactar durante todo esse tempo. E isto, meus amigos, é amor.

Mas será mesmo? A minha resposta é: "Não, é idiotice". O que temos aqui é precisamente o contrário do que esta mensagem nos quer fazer passar. Isto é ódio puro. Não quer que lhe responda para ver se o ama a sério? Tretas. Ele quer é aproveitar as suas ultimas horas com vida a fazer coisas mais produtivas do que passar os últimos momentos com a cara metade. Tipo estar na net ou jogar poker. Amor e carinho em horas de sofrimento? Que cocó!

Atentemos nos pormenores desta belíssima narrativa. Recorda-se que ele lhe pediu que deixasse de a contactar de qualquer forma, sob o pretexto de a amar para todo o sempre. Aí está uma promessa bastante fofa e querida, não fosse o facto de ele falecer no dia seguinte. Maravilhoso. Depois temos o facto de se saber que ele tem uma doença letal e que daí a 24 horas terá perecido. Eh lá, que pontual esta doença! Sabe exactamente quando actuar e avisa com antecedência. Tem de se admitir que é simpático da parte dela.

Depois temos o facto de a namorada entrar na casa do companheiro e estar ele deitado com uma nota na mão. Pergunto-me se ele pegou no pedaço de papel, e se deitou à espera da Dona Morte. Se calhar teve tambem um aviso tipo: "Por favor deite-se. Dentro de momentos estará a fazer tijolo."

Em seguida temos um momento que eu só posso qualificar como derivado de uma tragédia grega. Ele deitado com o papel na mão e a moça lavada em lágrimas. Pega-se no papel e lê-se:

"conseguiste amor, e agora achas que consegues fazer isso todos os dias? AMO-TE!"

Passando o perturbante facto do "conseguiste, amor", que presumo que seja arrombar a porta para o encontrar naquele estado, claro que consegue fazer isto todos os dias! Chegar a casa da minha cara metade cheia de saudades, e encontrá-lo morto na cama. Alegra o dia! Claro que consigo fazê-lo todos os dias! Aliás, vê lá se não é melhor assim: trago a minha família toda e desfrutamos disto todos juntos! Tudo em choque, a chorar baba e ranho em coro. E com as crianças a gritar: "Olha um defunto!". Vai ser tão bom fazer isto todos os dias! Tão bom!

Como disse, isto está longe de representar amor por alguém. Duvido mesmo muito que seja verídico mas mesmo assim é perturbador de se ver. E sei que estou a gozar com isto porque, sejamos francos, é ridiculamente engraçado, mas na verdade faz parte da vida. Se se gosta de uma pessoa a sério, não é isto que se faz. Parece romântico por causa das palavras que se usa, só que é tudo menos isso. Mostra apenas o que não se deve fazer. E o facto de apelar no fim a que as pessoas partilhem se gostam de alguém, sinceramente, assusta-me. Vão por mim, querem amar e ser amados? Não é nada fácil, mas tirem conselhos de vários sítios mas daqui não, por favor.DC


"Bye-bye, Chatty" e outras histórias

O leitor mais arguto e assíduo aqui desta humilde barraca terá certamente notado que, desde ontem, há alterações substanciais aqui no blogue. Começa logo pelo que salta mais à vista - e não, este não é outro post acerca das mamas da Ana Malhoa -, que é um fundo todo catita, com o TM, a BT e o DC, num simpático tom de castanho-amarelado, ou amarelo-acastanhado, como preferirdes. Depois, notará o sempre atento leitor que desapareceram dois marcos da nossa história: a sala de chat (que teve que ser eliminada por estar a ser permanentemente invadida por simpáticos bots distribuidores de vírus) e os links para a primeira série de podcasts (que, entretanto, desapareceram na sua maioria). Acrescentando à barra lateral estão umas fotografias giríssimas, dos três BananaCallers, nas mais variadas situações. Para mais, a partir de agora, na ausência de chat, os comentários passarão a estar activos para os posts posteriores ao "Spoiler", pelo que se pede e encoraja a participação do digníssimo leitor. Sempre, claro, com a respectiva moderação, para que se evite palavreado menos simpático.
Assim, meu caro leitor, se inicia um novo ciclo aqui no Bananaphone: um ciclo quiçá mais maduro, mas sem dúvida com o mesmo divertimento com que, desde há quase cinco anos a esta parte, vos temos proporcionado. Sem mais delongas, sempre vossos. BananaCallers 

05/07/11

Spoiler

O ser humano tem uma tendência e um prazer tão enorme de contar coisas uns aos outros. Temos desejo de o fazer porque gostamos de contar coisas e ver a cara das pessoas quando ouvem o que temos para dizer. Mas muitas vezes, e nem o fazemos inconscientemente, contamos coisas que não deviamos contar, recebendo por vezes sonoros: "EI!!! EU AINDA NÃO VI!!"

Mas digam o que disserem todos temos prazer em contarmos o que vimos e achámos piada. Mesmo ( e sublinho MESMO) que a pessoa ainda não tenha visto. E com os tempos surgiu o termo spoiler. E o que quer exactamente o termo "spolier"? Ora bem, segundo a minha incrivelmente fiável designação é, e cito:

Individuo que gosta de contar coisas que estraguem o efeito surpresa, podendo dar-se em situações da vida real ou em filmes, series e outras formas de entretenimento a pessoas que ainda não visionaram a tal obra. Pessoa a quem apetece, frequentemente, dar um murro no nariz.

Quer queiramos quer não, todos nós já o fizemos ao longo da nossa vida. E pode ser contarmos uma pequena parte de alguma coisa ( uma cena de um filme, uma piada de uma série). Ou chegar ao extremo e contar como é que a porra acaba. Eu falo por mim mas tento ao máximo não ser spoiler, até porque podemos fazê-lo sem tendo qualquer percepção de que a pessoa a quem estamos a dizer, não faz puto de ideia do que acontece. Pode acontecer,tal como pode acontecer estarmos na presença dos spoiler intencionais que usam o argumento "Desculpa mas tenho de te contar isto!". E vemos que têm porque estão a tremer, tanta é a vontade de transmitir isso ao outro individuo. Estamos perante dos spoilers intencionais. Estes são aqueles que o fazem não acidentalmente mas com total consciência de que a pessoa com quem falam não tem conhecimento. Depois há tambem aqueles que não se importam de levar com os spoilers e que, a maior parte das vezes, até pedem que lhes contem o que tem a dizer. São os chamados "spoilers masoquistas". Por vezes misturam-se todos. Existe o que spoila sem querer, o que quer spoilar, o que não se importa de ser spoilado e o desgraçado que acaba sempre por dizer: "OPÁ! EU AINDA NÃO VI!!

Poderão vocês perguntar-se porque é raio é que eu vim agora com este assunto. Pois bem, eu ando a acompanhar o programa "Último a Sair" na RTP, um programa de humor com um conceito de reality show em que os concorrentes vão sendo expulsos. Adoro o programa e desde que começou tenho acompanhado tudo. Acontece que o programa tem página no Facebook e numa das minhas visitas à página,há cerca de duas semanas, deparei me na secção de comentários com uma senhora ( a quem eu muito simpaticamente só posso chamar "besta") que sai-se com esta.

" Eu li numa revista que os finalistas vão ser _______, ____________ e ____________. E quem ganha é _______"

(Tomei a liberdade de fazer o que está correcto, ou seja o que a mulher devia ter feito, e não contar o que li, não vá algum fã do programa que não sabe, estar a ler isto)

Primeiro, chamem-me o que quiserem mas sou um defensor que as publicações periódicas deviam de estar proibidas de contar seja o que for acerca do que se vai passar nos programas de TV. É certo que só lê quem quer mas estraga a integridade ao conceito de programa de televisão. É o mesmo que ir comprar uma revista de cinema para ler o fim dos filmes. Não faz sentido nenhum. E se as pessoas não gostam de saber como acaba um filme, porque carga de água é que querem saber como é que acaba a novela da TVI? Não sou fã de novelas mas mesmo sendo programas de qualidade inferior são produções com um minimo de esforço e não merecem ser estragadas desta maneira. Não perdem audiência ( pelo contrário serve apenas como mecanismo para a aumentar visto que as pessoas vão ver não por não saberem mas exactamente por o saberem)mas é incrivelmente imbecil . E agora venho a saber que a porcaria das revistas cor de rosa vem contar o que se vai passar em programas de jeito. Podem me dizer que são os próprios indivíduos das estações que mandam as informações acerca das novelas, mas dou-vos quase a certeza absoluta que à malta do "Ultimo a Sair" não lhes interessa estragar o fim, porque é uma serie que reside muito no factor surpresa. E eu pergunto mais uma vez: para quê?
As pessoas se acompanham, vão ver na televisão! Não há qualquer razão para dizer quem morre ou quem é é atropelado e fica em coma nessa semana. Tudo bem, podem mostrar o que vai basicamente acontecer no episódio. Se querem contar o fim às pessoas, sugiro que o façam na rua, com megafone. Ao menos assim tem piada.

Em segundo lugar minha senhora, você droga-se? Que pessoa no seu perfeito juízo vai a uma página de fãs de um programa e diz quem ganha a porra do dito cujo? E que tal quando você estiver a jogar cartas eu for a sua casa, olho para o seu jogo e grito:

"Olha ela tem dois seis, um ás, um valete, 2 três e 3 cincos!|"

Quer que eu faça isso? Ah pois não havia de querer! Então para quê ir estragar o factor surpresa aos outros, hein? Leu na "Maria"? Óptimo! Fique com a comunicação social merdosa para si. Se me dissesse que a Cinha Jardim pôs esta semana um ovo com botox, eu estava me a borrifar. Agora,, ir para a página do programa e dizer o fim, tenha dó , minha senhora! Pode haver quem goste de saber quem ganha mas se nos verdadeiros reality shows não se sabe, porque é que raio haveria de se saber também?

É por isto que eu tenho cada vez menos dúvidas que o ser humano é estúido até dizer chega. Faz as coisas e depois corre para ir contar mesmo sem os outros terem visto nada. Somos mesmo idiotas. Somos mesmo muito idiotas. Mas olhem o que se há de fazer? Não deixo de apreciar as coisas mesmo sabendo como acabam. Agradeço à senhora que contou a mim e a milhares de fãs como o programa que tanto gostamos acabará. Ah e mando-a para um sitio também mas isso fica para outra vez.DC

PS: Ao longo do texto, escrevi "Spolier" em vez de "Spoiler". Isto deveu-se à minha preguiça para rever o texto. Como essa preguiça se mantem, considerem que faz parte da piada

30/06/11

Rigorosamente nada

Quando as escadas são muito grandes, chegamos ao fim cansados, já dizia o Zé António, personagem que acabei de inventar depois da criação de um provérbio tão giro. Mas a realidade é essa. Se as escadas são muito grandes, qual templo tipo Shaolin ou assim, é inevitável que cheguemos cansados ao fim das ditas. O mesmo na vida. Há certas coisas que nos fazem subir degraus e degraus e degraus e degraus que uma pessoa quase deseja estar na estação de metro da Baixa-Chiado num dia de avaria das escadas rolantes, tal não é o cansaço.

Agora, porquê isto?

Bem, antes de mais lamento o tom mais sério deste post. Sim, não é o primeiro nem o segundo e acho que nem o terceiro. O DC é que mantém essas contagens. Não faço ideia do porquê da escrita deste post quando tenho um blogue pessoal onde posso pôr as porcarias todas que me apetecerem, incluindo estas.

Acho que, bem lá no fundo, foi só vontade de pôr aqui algo que não fosse para dizer rigorosamente nada. Ou para dizer tudo, para quem sabe. Enfim, lamento a ocupação do espaço, os kilobytes que vos gastei à internet e a ausência de um sorriso na leitura deste post. Costumo ter mais piada que isto.

Vá, abracinhos e beijinhos. TM

16/06/11

Onde está a E-coli?

Pois...parece que houve um surto de uma das bactérias que mais adoravelmente se aloja em nós, criando um grosso problema.

Mas a verdade é que a E-coli está para os problemas intestinais um pouco como o emplastro está para os jogos do futebol clube do porto, daí estranhar tão grande caça à bactéria por parte dos media e dos respectivos responsáveis. Também é verdade que a bactéria especifica deste surto é diferente do normal e mais resistente a antibióticos, assim como o emplastro sem dentes está para um com dentes pagos pelo Herman (tenho de deixar de usar o emplastro em metáforas...)

Então e como surgiu? Segundo consta primeiro foram os pepinos, o que levou a um grande Ai Caramba! por parte dos espanhóis, já que muito convenientemente a Alemanha concluiu ser dos de lá que originou o agora famoso procarionte.

Logo se seguiram inúmeros vegetais (numa ordem muito estranhamente igual à da bancada do supermercado que frequento), mas parece que a busca parou nos rebentos de soja. Não, a Alemanha não culpa a China, desta vez assume-se como causa do surto. Que na verdade foi isso, um grande surto, que claro deveria ter sido evitado e não deixou de ser muito sério, mas a sensação que fica é que os telejornais já tinham saudades de algo que substituísse o H5N1. No entanto têm vindo a surgir novos vegetais no país e do país, que causaram problemas do género...Para mim a maior surpresa foi mesmo saber que a Alemanha se está a desleixar no controle de qualidade de alguma coisa e a deixar passar coisas imperfeitas...avançando, afinal qual é a lição a tirar deste acontecimento?

Duas principais se destacam, primeiro podemos reafirmar a ideia de que neste mundo nada está livre de nos fazer mal, incluindo os vegetais que os avós sempre nos disseram “fazerem bén come filho!”. A acumulação dos vegetais que não se têm vendido tem a ver com isso mesmo, as pessoas já só os comiam porque fazem bem à saúde, à menor sugestão do contrario deixam logo de os comer, porque sejamos honestos há alguém que goste de brócolos!?

Em segundo lugar mais uma vez reafirma-se que se alguém der um valente e metafórico “pum” a Alemanha fará com muito gosto o papel daquele amigo que rapidamente diz “Não fui eu!”, mas que toda a gente sabe que se peidou.

Por fim devo aproveitar esta oportunidade para desejar uma diareiazinha a quem marcava com caneta o Wally nos livros da biblioteca que frequentava em criança, a sua gabarolice tirou a graça e acabava sempre à procura dos outros personagens...que circulava com caneta quando encontrava claro. BT